|
Foi depois de ler uma reportagem sobre Jimi Hendrix, em 1970, na
revista "Manchete", que Antonio Carlos Liberalli Bellotto
decidiu o que seria quando crescesse: guitarrista de rock. Logo
depois que descobriu Hendrix e seus discos, o menino nascido em
30 de junho de 1960, bisneto de italianos e neto de portugueses,
começou a tocar violão e a arriscar suas primeiras
composições, enquanto ia conhecendo outros virtuoses
da guitarra, como Keith Richards, Jimmy Page e Eric Clapton.
Bellotto dividia a paixão pelo rock com a literatura. Devorador
de livros e revistas, ele foi conhecendo Rubem Fonseca, Jorge Amado,
Ernest Hemingway, Herman Melville e seu arrebatador romance "Mobby
Dick". Nascia aí um desejo, ainda que velado, de escrever
livros, o que se cristalizaria nos anos 90.
O sonho de ser roqueiro, porém, parecia mais próximo
e aos 14 anos Bellotto ganhou sua primeira guitarra. Embora já
ouvisse a Jovem Guarda e tivesse fascinação por "Yellow
Submarine", dos Beatles, Bellotto só mergulhou fundo
no rock um ano depois, em 1975, quando viajou para os Estados Unidos.
Voltou ao Brasil para morar em Assis, no interior de São
Paulo, trazendo na bagagem um leque de novidades, como os bluesmen
Muddy Waters e Robert Johnson. Tantas influências, misturadas
a Caetano Veloso, João Gilberto e Luís Melodia, três
outros nomes que passou a ouvir sem parar, deixaram Bellotto com
um elástico vocabulário musical. Ele começou,
então, a percorrer faculdades e bares com voz e violão,
mostrando composições próprias e abrindo shows
de nomes já badalados na MPB, como Jorge Mautner.
Através do amigo Carlos Barmack, acabou conhecendo Branco
Mello e Marcelo Fromer, com quem formou o Trio Mamão. Nesse
meio tempo, Bellotto chegou a cursar faculdade de arquitetura em
Santos, mas acabou abandonando o curso dois anos depois para se
dedicar à música. Em 1982, pouco antes de começar
os ensaios com os Titãs do Iê-Iê, nascia sua
primeira filha, Nina, de seu casamento com Ana Paula Silveira.
A paixão por livros que carregava desde a infância
aflorou para valer nas primeiras férias longas dos Titãs,
em 1994. Admirador de romances policiais, Bellotto lançou
em 95, pela Editora Cia. das Letras, seu primeiro livro, "Bellini
e a Esfinge", a história de um detetive que vive no
submundo de São Paulo. Dois anos depois, o personagem reapareceu
numa segunda trama, "Bellini e o Demônio". Em 2001,
o guitarrista-escritor deu duas tacadas literárias de uma
só vez: lançou o romance policial "BR 163
Duas Histórias na Estrada" e, para o público
infanto-juvenil, "O livro do guitarrista", com dicas,
discografia e curiosidades sobre a história do rock. Em 2002,
a primeira aventura de Bellini foi adaptada para o cinema, com Fábio
Assunção vivendo o personagem-título. Na televisão,
o guitarrista começou a apresentar em 99, na TV Futura, o
programa "Afiando a Língua", uma informal aula
eletrônica de português.
Casado desde 1990 com a atriz Malu Mader, Tony Bellotto teve com
ela mais dois filhos, João e Antônio, nascidos respectivamente
em 95 e 97. Os quatro moram no Rio.
|