0%

1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14

01. fardado

Você também é explorado
Fardado
Você também é explorado - aqui!

Por que você não abaixa esta arma
O meu direito é seu dever
Por que você não usa essa farda
Pra servir e pra protejer.

Por que você não escuta o que eu digo
Não limpa as botas de terra
Não prende esse cachorro comigo
Não abre a rua e limpa essa merda!

Ponha-se no meu lugar, ponha-se no meu lugar
Ponha-se no meu lugar, no meu lugar.

Você também é explorado.
Fardado
Você também é explorado - aqui!

Por que você não abaixa esse escudo
O meu direito é sua obrigação
Por que não olha antes de tudo
O seu dever é minha autorização.

Por que você não escuta o que eu falo
Não limpa a terra das botas
Por que não segura esse cavalo
Não abre a rua e limpa essa bosta!

Ponha-se no meu lugar, ponha-se no meu lugar
Ponha-se no meu lugar, no meu lugar.

02. mensageiro da desgraça

Pintado pra batalha
Com sujeira, piche e carvão
Escuto o som da cachoeira
Na Avenida São João

Sigo o rumo da floresta
No Viaduto do Chá
Na selva de concreto
Estou pronto pra lutar

Cansei da fome, do crack
Da miséria e da cachaça
Cansei de ser humilhado
Sou o mensageiro da desgraça

Vejo meus antepassados
Vou vingar os meus irmãos
Os que são queimados
Enquanto dormem no chão

Escuto o som dos pássaros
Vou vingar minhas irmãs
As que sãoestupradas
Na luz da manhã

Cansei da fome, do crack
Da miséria e da cachaça
Cansei de ser humilhado
Sou o mensageiro da desgraça

Subindo as escadas
Do Teatro Municipal
Pintado com palavra
Terra e tinta de jornal

Andando contra os carros
E aviões naMarginal
A esperança cega
Não me livrará do mal

Cansei da fome, do crack
Da miséria e da cachaça
Cansei de ser humilhado
Sou o mensageiro da desgraça

03. república dos bananas

Peixoto está com o cartão bloqueado
Teodoro esqueceu suasenha eletrônica
Norma vai ter que cortar os seus gastos
Humberto ainda tem uma vaga lembrança

Calúnias sociais
Seus tipos bacanas
Bundas e caras
Da RepЬblica dos Bananas!

Pepino amedronta a esposa e os filhos
Sílvio ainda dorme naquele cubículo
Bico só come fritura e gordura
Arcanjo é um poço de superconflitos!

Calúnias sociais
Seus tipos bacanas
Bundas e caras
Da RepЬblica dos Bananas!

Cristiano acumula quase todas as mágoas
Oswaldo odeia “os direitos humanos”
Barreto acredita na pena de morte
Hana tem gelo no coração!!
Marta é um poço de melancolia
Nora namora um homem casado
Ismênia ainda guarda seus lindos rancores
Brusco só vive emburrado

Van Cliff,
ex astro do cinema pornô!
Lolita, ex-rainha dos shows de sexo ao vivo!
Brodoski,
ex produtor de filmes da Boca do Lixo!
Angeli,
ex cartunista, porco e deplorável!!

Ubiratan está preso ao passado
Carlos vai ter que ir pra uma casa menor
Birilo coleciona lascas de unha
Bia acha tudo nojento!!

04. fala, Renata

Fala aí Renata
Diga aí, diga lá
Diz aí Renata
Blá, blá , blá, blá, blá

Fala, fala, fala
Fala sem parar
Não pára um segundo
Difícil é escutar

Fala, fala muito
Fala por falar
Fala sem assunto
Difícil é escutar

Pelos cotovelos
Fala sem pensar
Olha no espelho
Para conversar

Liga pra vizinha
Sem ter o que contar
Enquanto der linha
Não quer desligar

Terezinha, Gabriel
Hugo, por que no te callas ?

Pára de falar, pára, pára de falar
Pára, pára de falar
Pára, pára de falar

Luciana, Assunção
João Luiz... Cala essa boca, porra!

E não diz nada não
E não diz nada, pois sim
E não diz nada não
Nada de bom nem ruim

05. cadáver sobre cadáver

Morre quem mereceu
e quem não merecia

Morre quem viveu bem
e quem mal sobrevivia

Morre o homem sadio
e o que fumava e bebia

Morre o crente e o ateu
Um do outro companhia

Cadáver sobre cadáver
Cadáver sobre cadáver
Quem vive sobrevive
Quem vive sobrevive
Quem vive sobre

No meio do tiroteio
No seio da calmaria

Morrem na guerra ou na paz
de fome ou de anorexia

Morrem os outros ou os seus
Aa foice não se sacia

Morre o homem, morre deus
O luto não alivia

Cadáver sobre cadáver
Cadáver sobre cadáver
Quem vive sobrevive
Quem vive sobrevive
Quem vive sobre

06. canalha

É uma dor canalha?
Que te dilacera?
É um grito que se espalha?
Também pudera?
Não tarda nem falha?
Apenas te espera?
Num campo de batalha?
É um grito que se espalha?
É uma dor?Canalha

07. pedofilia

Ele disse: 'eu tenho um brinquedo,
Vem aqui, vou mostrar pra você'.
Ele disse: 'esse é o nosso segredo,
E ninguém mais precisa saber.'

'Eu não vou te fazer nenhum mal', ele disse,
E então me pegou pela mão
Ele disse que era normal, que pedisse,
E eu não tinha porque dizer não

Não sou eu mais em mim
Não sou eu mais
Sou só nojo de mim
Só nojo, por dentro

Não sou eu mais em mim
Não sou eu mais
Sou só nojo de mim
Só esquecimento

Ele disse:'eu tenho um presente,
Vem comigo que eu vou te mostar'
Ele disse: 'isso é só entre a gente
E não é pra ninguém escutar'.

'Eu não vou fazer nada de errado, eu te juro,
Vem aqui, vamos nos conhecer'.
'Vem aqui, fica aqui do meu lado, no escuro
Eu prometo cuidar de você'

Não sou eu mais em mim
Não sou eu mais
Sou só nojo de mim
Só nojo, por dentro

Não sou eu mais em mim
Não sou eu mais
Sou só nojo de mim
Só esquecimento
Não, não, não...

08. chegada ao Brasil (terra à vista)

Terra à vista
Tem palmeiras, sabiás, mulatas ainda não
Água à vista perco o chão
Essa merda de navio
Entrou por um desvio
Será que mudou o rumo
E agora vamos para as índias

Nada disso
Vai ao fundo
Meio mundo

Neste mar
A se afogar
água à vista

Terra à vista
Tem palmeiras, sabias, mulatas ainda não
Tem pau-brasil, a dar com o pau
Como dizia Cabral
Tem coqueiro que dá coco
Tem mangueira que dá caju e tem popó
Do maculelê

Tem caçaa cabaça cachaça trapaça
Mordaça arruaça vidraça
Desgraça raça pirraça

Caça cabaça cachaça
Mordaça arruaça vidraça
Desgraça raça pirraça
E índia cheia de graça

09. eu me sinto bem

Nada pra comprar
Nem pra trocar pilha
Nada, nada pra guardar
Nem deixar no chão
Nada pra pagar
Nem pra pegar fila
Nada, nada pra acertar
Nem errar a mão

Eu me sinto bem assim
Eu me sinto bem - aonde estou
Eu me sinto bem assim
Eu me sinto bem - aonde vou

Nada pra rodar
Nem tocar buzina
Nada, nada pra lavar
Nem passar sabão
Nada pra variar

Nem virar rotina
Nada, nada para dar
Nem tirar razão

Eu me sinto bem assim
Eu me sinto bem - aonde estou
Eu me sinto bem assim
Eu me sinto bem - aonde vou

Só de ir andar na rua
E ver gente passar
De ir andando abrindo portas
E não ter que fechar

Só de ir andar na rua
E ver tudo onde está
De ir andando dando voltas
E não ter que voltar

10. flores pra ela

Diz ele que é, um homem qualquer
E é louco por ela
Diz ela que é, que é só uma mulher
E aceita e espera

Ele é o dono, ela é o cão
E não tem nem como, ela dizer não
Ele é o senhor, ela é a escrava
Ele é o doutor, ela não é nada

Mata e leva flores
Mata e morre de amores
'Cala essa boca que isso não é direito'
Troca essa roupa que isso eu não aceito'

Mata e leva flores
Mata e morre de amores
'Cala essa boca tira esse sapato
Troca essa roupa, e vai chorar no quarto'

E leva flores pra ela
E faz loucuras por ela

Ele é o dono, ela é o cão
E não tem nem como, ela dizer não
Ele é o senhor, ela é o bicho
Ele é o doutor, ela é o lixo

E leva flores pra ela
E faz loucuras por ela

11. não pode

Não pode entrar aqui
Não pode falar
Não pode subir aí
Não pode gritar

Não pode sair daí
Não tem como ser assim
Não pode sentar aqui
Não tem como ser e fim

Se não, não
Se sim, talvez não
Se não, não
Se sim, talvez… Não!

Não pode, não pode, não pode
Não pode, não pode fumar, não pode beber
Não pode, não pode, não pode
Não pode, não pode xingar, não pode correr

Não pode entrar aqui
Não pode parar
Não pode ficar aí
Não pode passar

Não pode pular daí
Não tem como ser assim
Não pode comer aqui
Não tem como ser e fim

Se não, não
Se sim, talvez não
Se não, não
Se sim, talvez… Não!

Não pode, não pode, não pode
Não pode, não pode fumar, não pode beber
Não pode, não pode, não pode
Não pode, não pode xingar, não pode correr

12. senhor!

Senhor!
Não me livre do pecado
Me livre da culpa

Senhor!
Não me livre do perigo
Me livre da multa

Senhor!
Não me livre do inferno
Me livre do tédio

Senhor!
Não me livre da loucura
Me livre do remédio

Querem meu dinheiro
Querem meu salário
Um santo no espelho
Uma sombra no armário

Querem meu dinheiro
Querem meu salário
Um santo no espelho
Uma sombra no armário

Senhor!
Não me livre do desejo
Me livre do medo

Senhor!
Não me livre da mentira
Me livre do segredo

Senhor!
Não me livre do abismo
Me livre do abrigo

Senhor!
Não me livre da revolta
Me livre do castigo

Querem meu dinheiro
Querem meu salário
Um santo no espelho
Uma sombra no armário

Querem meu dinheiro
Querem meu salário
Um santo no espelho
Uma sombra no armário

O pão nosso de cada dia
Me dê de graça
Assim na terra como no céu
A mesma desgraça

O pão nosso de cada dia
Me dê de graça
Assim na terra como no céu
A mesma desgraça

Querem meu dinheiro
Querem meu salário
Um santo no espelho
Uma sombra no armário

Querem meu dinheiro
Querem meu salário
Um santo no espelho
Uma sombra no armário

13. baião de dois

O mundo é um moinho
A vida é um buraco

O mundo é um menino
A vida é um velhaco
Pobre menino
Velho endinheirado
E eu com isso?
Vão todos pro diabo

Mundo pequeno
Vida curta

Combinaram no dia
De São Nunca
Ele cianureto
Ela cicuta
Brindaram o momento
Dois filhos de uma puta

O mundo me condena
A vida me ultrapassa

Corre solta
Vira fumaça
Gira em falso
Morre e acaba
Vai pra casa do caralho
Coisa mais sem graça

É só isso esse baião
E não tem mais nada não

Nem baião nenhum nem dois
Não tem nada pra depois

14. quem são os animais?

Te julgam e não aceitam a tua fome
Te insultam e te condenam a pecar
Te julgam e nem conhecem o teu nome
Te humilham e não te deixam falar -
( e você diz )
“Você tem que respeitar o direito de escolher livremente
Como um velho mandamento”
( e você diz )
“Você tem que respeitar o direito de ser diferente
Como um novo sacramento”

Te chamam de viado e vivem no pasado
Te chamam de macaco e inventam o teu pecado

Te julgam pela cor da tua pela
Te insultam e te condenam a penar
Te julgam pela roupa que vestes
Te humilham e não te deixam falar

( e você diz )
“Você tem que respeitar o direito de escolher livremente
Como um velho mandamento”
( e voice diz )
“Você tem que respeitar o direito de ser diferente
Como um novo sacramento”

Te chamam de viado, de sujo, de incapaz
Te chamam de macaco - quem são os animais?

E ninguém diz o que se vê, sendo a minoria
E ninguém fala por você, sendo a minoria

Titãs
"NHEENGATU"

Não consuma esse disco se tiver estômago fraco. “Nheengatu” é repleto de cenas fortes, impróprias para quem não encara as verdades de frente. Tem pedofilia. Tem fome, miséria, crack. Tem machista covarde que dá flores para a mulher, mas que se revela um monstro de ciúme possessivo. Tem bossais preconceituosos que espancam quem não segue suas cartilhas de costumes. Tem quem sobrevive em vez de viver e personagens de HQs que poderiam perfeitamente ter saído das redes sociais.

“Nheengatu” é uma crônica ácida do Brasil em carne viva, com as angústias e mazelas que estão bem aqui do nosso lado.  Os Titãs, que se consagraram por cravar a unha na ferida e nunca tiveram pudor em virar do avesso temas incômodos, lançam seu 18º disco, mais críticos e atuais do que nunca. Dessa vez, em tempo real. Como Fardado, composta enquanto protestos e manifestações varriam o país afora: “Por que você não abaixa essa arma / O meu direito é seu dever / Por que você não usa essa farda / Pra servir e pra proteger”.

“Desde o começo, tínhamos vontade de fazer um instantâneo do tempo que a gente vive. Fardado foi diretamente inspirada na fotografia de uma adolescente parada na frente de uma tropa da PM com um cartaz escrito: ‘Fardado, você também é explorado'”, conta Sérgio Britto.

Nesse retrato comtemporâneo, em que elementos regionais ao som predominantemente pesado, também aparecem os que andam pelas ruas por outros motivos. Drogados e mendigos perambulam por endereços famosos de São Paulo em Mensageiro da Desgraça. A Letra junta os sem-teto de home com os excluídos da nossa história, os índios. "Vejo meus antepassados / vou vingar os meus irmãos / Os que são queimados / Enquanto dormem no chão".

Foi olhando para nossas origens, aliás, que os Titãs batizaram o disco. Nheengatu é uma lingua derivada do tupi-guarani, criada pelos jesuítas no século XVII para unir as tribos nativas do Brasil e os brancos recém-chegados. O contraponto está na capa, com a imagem da Torre de Babel, mito bíblico sobre a completa falta de comunicação entre os homens.

"Nheengatu define bem um disco que trata dos assuntos mais sensíveis no desenvolvimento da sociedade brasileira nos dias de hoje. Nossa civilidade, ética e moral estão nas letras deste CD", detalha Paulo Miklos, que se inspirou na música indígena para compor, em parceria com o ex-titã Arnaldo Antunes, a ótima Cadáver sobre cadáver: "Retomamos esta referência que já está na canção 'Cabeça Dinossauro', de 1986, e que agora experimentamos com mais profundidade.

As 14 faixas do álbum formam uma sequência vigorosa, intensa, difícil de desacoplar uma da outra, que retrata bem a personalidade forte dos Titãs. Essa contundência fica latente em Pedofilia, assunto tabu na música brasileira, composta do ponto de vista da vítima. A letra é o próprio depoimento, envergonhado e indignado, um desabafo depois de sofrer nas mãos de seu algoz. A interpretação de Britto é primorosa e revela todas as nuances do crime. Suave e doce nos argumentos do pedófilo, nervosa e repulsiva quando a vítima cospe para fora a barbaridade que sofreu.

O disco vai também direto ao ponto de Quem são os animais?, que bate forte nas humilhações sofridas pelas minorias: "Te chamam de viado e vivem no passado / Te chamam de macaco e inventam o teu pecado". Já Flores para ela poderia ser uma tragédia das páginas policiais, do marido possessivo e descontrolado que se sente dono da própria mulher. A interpretação envolvente de Miklos vai crescendo e se com o avançar da música, enquanto a guitarra de Bellotto acompanha a tensão, culminando num solo que grita, berra, como um pedido de socorro.

A banda - que neste álbum volta a contar com Mario Fabre na bateria - também ataca o politicamente correto que patrulha opiniões e comportamentos. "Não pode fumar, não pode beber / Não pode xingar, não pode correr", reclama Britto em Não pode. A futilidade dos verborrágicos que não tem nada para dizer é tratada em Fala, Renata, assiada pelo trio Britto, Miklos e Bellotto - também autores da energica Eu me sinto bem.

 

A obsessão cega por uma religião que suga as crenças e o dinheiro do fiel dá as caras em Senhor. O sarcasmo crítico se traduz na estrofe “Querem meu dinheiro, querem meu salário / Um santo no espelho, uma sombra no armário”.

“Senhor foi inspirada também nessa vontade de fotografar o Brasil atual, em que a religião se mistura na política com resultados terríveis, como a manipulação e a exploração de fiéis, a resistência de bancadas religiosas em aceitar a discussão de pesquisas com células tronco, descriminalização do aborto... A canção usa o formato de uma oração ao contrário, com uma base punk bem titânica, que lembra coisas de nossos discos mais antigos”, explica Tony Bellotto, autor da música.

E se o álbum remete aos primórdios dos Titãs, flerta também com a história da música brasileira, numa colagem genial em Baião de dois. A composição de Miklos inicia com "O mundo é um moinho", de Cartola, e "A vida é um buraco", choro de Pixinguinha. Segue adiantes com o "Mundo me condena" de Noel Rosa, e "A vida me ultrapassa", verso de Rita Lee e Tom Zé. Até desembocar em "É só isso esse baião, e não tem mais nada não", inspirada em "Bim Bom", de João Gilberto.

O lado mais leve (mas não menos crítico) de "Nheengatu" vem do olhar sempre afiado de Branco Mello, em parcerias com o cartunista Angeli e o autor e diretor teatral Hugo Possolo, em República dos Bananas, e com o também dramaturgo e diretor Aderbal Freire-Filho, em Chegada ao Brasil (Terra à vista) – ambas assinadas ainda pelo guitarrista Emerson Villani.

"Angeli é o criador desses personagens que aparecem na música e um gênio dos quadrinhos. Trata-se de um retrato bem-humorado das diferentes figuras que habitam nossa República. Aderbal e Hugo são grandes artistas do teatro brasileiro. Fizemos essas músicas inicialmente para outros projetos, mas os temas se encaixaram com perfeição nesse trabalho. Um rock falando da chegada ao Brasil e outro sobre os tipos brasileiros que vivem por aqui", conta Branco.

 

É Branco que interpreta a única releitura do disco. Uma versão pesada para Canalha, clássico de Walter Franco, de 1979, cuja letra conversa bem com as outras faixas do disco. "Walter Franco sempre foi um compositor muito original, com referências variadas e que criou um estilo único. A canção é muito poderosa e continua atual, mesmo depois de tanto tempo", opina Bellotto.

"Nheengatu" tem homenagem. Tem influência da música indígena. Tem um pouco de baião, xaxado e samba. E tem muito rock'n'roll. A densidade e acidez das letras se complementam naturalmente na sonoridade do disco, ancorada no clássico trio guitarra-baixo-bateria. É Titãs em sua (melhor) forma e conteúdo. Sem nenhum pudor.

Hérica Marmo e Luiz André Alzer
Maio de 2014